terça-feira, 15 de maio de 2018

Amor inexplicável

Existem várias formas de amar. 


Amar um filho, amar um pai, amar um amigo, amar num relacionamento.

Todas as formas de amar são válidas.. Todas formas de amor também o são. 


Não estava preparada para o amor que cresceu dentro de mim. Nem sabia que era existia essa forma de amar.

Amar um ilê asé, amar um bàbá. 


Se eu construir uma casa usando um cimento de fraca qualidade ou mesmo uma mistura próxima do cimento, certamente essa casa um dia cairá. 
Se eu levar para um ilê asé más intenções, zangas, desamor, contribuirei para um péssimo ambiente, não estarei a aprender nada na religião.

Se for com más intenções para o meu bàbá, se não o amar verdadeiramente, como posso lhe confiar o meu ori, confiar a minha ligação ao orisá, a minha vida espiritual? 

Essa confiança é um elo para toda vida, é um elo forte, inquebrável. Quem melhor do que ele para querer o melhor para a minha vida?

As vezes tenho ciúmes da sua atenção para outras pessoas, algo que no início que o conheci isso não acontecia. Já lá vão um pouco mais de 2 anos, e tantas vezes procuro o seu olhar, procuro a sua linguagem corporal, para saber se está bem ou não, se está chateado ou não, procuro as vezes uma reação a algo que disse, seja na brincadeira ou a sério. 

Procuro tantas vezes o seu conforto, mas muitos mais não tenho coragem de dizer como realmente sinto-me dentro de mim. Simplesmente não consigo por amar-lo tanto. As vezes estou triste, com situações que gostaria de desabafar, pois, considero-o o meu melhor amigo.. mas sei que ele está casando, repleto de afazeres, com algumas situações para resolver, e coloco-o como prioridade. 

Não sei como é com os iniciados, o que sentem, como o expressam... 

Mas posso dizer que é um carinho do tamanho do mundo que sinto por ele. Talvez devesse sentir pelas outras pessoas de cargo no ilê ou mesmo pelos meus irmãos de santo... mas quem manda nos sentimentos?


É uma preocupação constante em saber que ele está bem, e tantas vezes.. por não ter uma resposta a uma mensagem, por não ter um "olá" fico triste.. pensando o que terei feito...

Demorei algum tempo a entregar-me a essa afinidade, sou por natureza desconfiada, desde que me lembro. Cheguei durante muitas vezes a pensar que não pertencia ali, que deveria estar noutro lugar, não gostava de certas atitudes de muitas pessoas, e misturava tudo. Misturava pessoal, misturava espiritual.


Vivi momentos que fizeram-me crescer, que fizeram refletir, que fizeram ver a religião, os orisás e o ilê asé com olhos de ver.. 

Mas essa já é uma história para outro dia...
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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Aprendizagem

Hoje o meu Bàbá ensinou me que as vezes procuramos no presente o que encontramos no passado... e por vezes não existe no presente...

O constante procurar de algo... por um simples olhar, ou.. contabilizando neste momento 3.... ou por meter na cabeça que o meu avô de santo não gostou de mim ou que procura algo para além dos meus olhos.. Algo dentro de mim....

Será paranoia ou intuição.. ou ambas? Quem sabe nenhum destes...

Dei um exemplo ao meu Bàbá... quando temos uma filha ou um filho, por mais adulto este se torne, o nosso amor é tão sincero e profundo que o queremos proteger, não queremos que nada lhe aconteça... como a rosa do princípezinho....

Eu sinto o mesmo em relação ao meu Bàbá... quero colocar uma rondoma de vidro e impedir que todo mal entre... impedir que algo o atinja....


Uma simples abian... tendo esda liberdade.... mas é com tanto coração...

O meu  Bàbá disse-me que procuro o que não há.... mas.... ainda não estou rendida... ainda não estou  convencida... ainda não consigo dar o meu coração para o meu avô de santo....
Aí o meu Bàbá ensinou-me, o meu avô tem que ser bom para o meu Bàbá, o meu Bàbá tem que se sentir bem, satisfeito... e não eu, uma simples abian, sua filha, deva olhar para o meu avô de santo.. devo ter respeito sempre, mas tenho que olhar para o meu Bàbá.. ele é que ser a pessoa certa para mim... eu é que devi sentir isso...


Talvez  sejam receios de todo o passado se repetir... de sorrir para pessoas, ser meiga, amiga... e depois a pessoa afineltar pelas costas...

Mas será assim tão necessário ter medo...

Ou o medo é dizerem que sou de orisá x ou orisa y, o meu Bàbá ficsr com ar chateado, eu kizilar com ele e haver um afastamento?


Muito complicado todos esses pensamentos...


Intuição? Eu acredito que sim...

Veremos o tempo dirá.....





domingo, 13 de maio de 2018

Reflexões de abian

Ser abian é muito complicado em questões de emoções.

Sinto-me, uma pessoa instável  desconfiada que falo como se tudo estivesse bem, falo muito mas avaliando sempre quem ouve ou faz que ouve..


Tento abrir o meu coração... tento entregar e mostrar as pessoas como sou... vamos imaginar uma montanha... eu subo um lado da montanha tentando atingir o cume... e vou sempre como eu sou na realidade.. mas aí chega a um ponto no caminho que algo não está bem, que se passa algo que ainda não sei bem o que é.. mas meto na minha cabeça e já fico desconfiada de tudo....
E começo a ter vontade de de descer a montanmintanhanha escondida numa capa e deixar-me reservada... deixar de dar de mim...

Algo valioso que ouvi e aprendi, e que é importante fixar... estou na religião pelos orisas e não pelas pessoas...
Isso é importante...



Olhares...

O reflexo dos espelhos acabam por mostrar olhares o que de outra forma não os encontraria...

São olhos que avaliam, são olhos que procuram... olhos críticos... olhos antigos...

Tudo se repete..

Tudo volta ao mesmo...

Ou se encaminha para o mesmo....

Sou distinguida, limitada a frente de outros... mas  começa a gerar novamente dúvidas na minha cabeça e não quero isso a acontecer de novo...

Como um professor que ensina um método de matemática, e vem outro professor ensinando outro método, e de seguida outro professor ensinando outra forma de resolver uma equação.. todos com resultados diferentes..

Mas se a equação só tem um resultado.. quem será o certo ou o errado.. .

Continuo a ser eu mesma.. isso vale mais para mim do que qualquer coisa..


Sou como sou... nada a acrescentar...

Entrego nos orisás o que virá a seguir...

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Olhar profundo

Todo o tempo que tenho passado com o meu avô de santo reconheço nele muito do meu Bàbá.
Ainda tenho algum receio por mostrar o meu eu..
O meu lado brincalhão, o meu lado curioso, o meu lado engraçado...
O meu verdadeiro eu..

Algo que nunca fiz com todos os Bàbás e Iyàs que visitaram o ilê asé.
Sempre tentei parecer algo que não era, um menina bem comportadinha ingênua...
Pela primeira vez mostrei o que o meu Bàbá conhece...
E isso.. ai isso... eu que não sou dada às pessoas, que sou desconfiada quando conheço alguém... deixa-me assustada..

Houve um breve momento...
Em que o meu Bàbá não estava presente e estava com o meu avô de santo no carro..
Foi uns segundos em que conversávamos mas ele olhou-me com um olhar que senti como se entrasse por mim a dentro...
Foi profundo esse olhar.. como se olhasse para além da minha pessoa..

E não consigo desde ontem, tirar esse momento da cabeça..

Porque tantos receios, tanto medo.. Será por eu ser abian e ter medo que diga ao meu Bàbá essa menina não é boa pessoa...
Essa menina não é para aqui...

Pensamentos talvez sem nexo...

Mas... ser abian é um misto de emoções e descobertas a cada segundo dentro do asé.
Ser abian é aprender com os erros, aprender vendo o exemplo do meu Bàbá e seguir direitinho as regras da tradição do candomblé.
Sentar sempre mais baixa que o sacerdote, não olhar diretamente para os seus olhos, pedir bênção aos presentes..

Respeitar todos os presentes, respeitar tudo o que se passa...

Ser humilde, e uma das que tenho mais dificuldade, manter o silêncio..

Ser abian é conhecer a religião, a sua hierarquia e todos os meus deveres como filha da casa...




E agora!?!??!

Sempre fui dondoca..  menina mimada com com a vida facilitada..
Querendo iniciar me este ano deixei a preguiça, o ego orgulho de lado.. tudo....
Dois trabalhos que me permitiam ir buscar o meu filho ao Colégio...
Duro...dificil.... mentira sobre a mim já escolaridade... engolir o orgulho de ter andado na Universidade e ter que limpar banheiros, chão, pratos sujos... enfim...
Mas ia ter dinheiro que não me fazia falta e serviria para pagar mão e chão...
Esse era o que me fazia  continuar...
Hoje menos de um mês, sou informada que estava substituindo alguém e que só ficava até segunda...
Propuseram ainda um outro horário.. das 17 as 23 e fina de semanas... mas esse horário não me permite pegar o meu filho e nem tenho ninguém para o fazer...
Estou triste... como vou conseguir o dinheiro?!? Como vai ser.. vou ter que adiar?
Será que os orisas estão guardando algo melhor??? Tentando entender....

É preciso fé... É preciso continuar a batalhar...
Mas como?!??

Sinto me desanimada...

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Conhecer o meu avô pela primeira vez

Quando conheci o meu avô de santo estava nervosa.. com terror...
Como deveria me comportar? E se ele não gosta de mim?
E se digo algo errado...
Acredito que incomodei tanto com os meus medos..
Vinham mais dois Bàbás juntamente com ele... na minha cabeça fiz mil e um filmes..
E se eles dizem ao meu Bàbá que não gostam de mim, será que ele kizila comigo?

Deveria ser eu mesma ou ser o que eu achava mais correto...

Pouco a pouco... ao longo dos minutos que os conhecia.. fui eu mesma...

domingo, 6 de maio de 2018

Começar pelo início?

Talvez fosse correcto, este primeiro post, começar pela história de como conheci o candomblé. De como surgiu na minha vida. 
Mas emerge, uma reflexão que fiz no dia de hoje.

Nós todos temos dias maus, nós todos, temos circunstâncias que não entendemos porque não estão a correr de uma melhor forma. 

Mas poucas vezes paramos de reclamar, e refletimos sobre elas. 


Hoje, estava em casa sem vontade de sair, a 4 dias que não ia trabalhar nem saía de casa por uma infecção respiratória, e só queria sofá porque amanhã é dia de trabalho.. Mas em Portugal, hoje, é o dia das mães, e senti no meu coração vontade de oferecer algo ao meu bábà porque ele é pai, é mãe, é amigo é tudo, a ekedji porque a ekedji é mãe e o ano passado cometi o erro de não entender isso e nada ofereci. Aprendi e me corrigi. E entregar ao orisá da casa, Logunede e a Òsún. Comprei 4 ramos de flores, simples mas com todo o meu coração. 

Vou a sair de casa em direção ao meu carro, e quando vou abrir o carro notei logo que algo não estava bem, a luz estava fraca, dei a chave... e o carro não pegava... 
Eu deixei a luz do carro ligada estes dias todos... desde que cheguei de madrugada do hospital até hoje, perfaz 4 dias... o carro não dava sinal..



Pensei logo, bateria... e fiquei chateada.. Eu ando a concentrar-me tanto nos meus objetivos, ando tão focada, e pensei logo.. porque os orisás me estão a fazer isso????

Porque os orisás me colocam mais um obstáculo na minha vida... Como vai ser amanhã, levar o meu filho à escola, ir para o trabalho de manhã, depois pego em outro de tarde... como como como como???

Eram esses meus pensamentos... até que encontrei uns vizinhos do prédio ao lado, e sem os conhecer, algo infelizmente cada vez mais habitual em cidades urbanas, ajudaram-me a tirar o carro da garagem, tentaram empurrar e ele não pegava... 

Fizeram o que podiam... 3 vizinhos com mais de 60 anos, muito prestáveis, simpáticos. E nada.. Voltamos a colocar o carro na garagem... mas ajudaram-me e nem queriam que empurrasse o carro para não forçar a respiração... Que pessoas bondosas. 

Agradeci, e só depois refleti. Era de tarde, num domingo.. Eu teria tempo para conseguir resolver até amanhã... imaginem se apenas amanhã de manhã, na correria com o meu filho, fosse para o carro em cima da hora de levar o meu filho a escola, de ir para o trabalho, e o carro não pegasse?? Como ia resolver? Chamar um táxi? Não há dinheiro para esses luxos.. 


Então refletindo, e mesmo sendo abian, orisá está presente na minha vida sim. Eu é que estava ignorando o bem que estava ser feito, foi ótimo ter tido no coração a vontade de ir ao ilê asé, foi ótimo ter espantado a doença e ter levantado, foi ótimo ter ido até a garagem e descoberto isso no carro hoje, e não amanhã!


As vezes, nos precipitamos em reclamar sem analisar bem a situação. Hoje agradeço aos orisás por terem cuidado de mim.

Com algumas chamadas consegui uns cabos com uma amiga minha, que quando me chegou com o namorado, contou que estava grávida de 6 semanas e que o namorado ainda não estava aceitando bem a situação, pois não estavam contando com isso, só sabiam a alguns dias, e que tinha medo de ficar sozinha e dele fugir.... 

Coincidências? Nenhuma... Orisá sabe o que faz... :)

<3

Carta para oxum

Olá mãezinha oxum. Sabe mãezinha, amo muito a senhora e ainda não estivemos juntas. O meu caminho teve altos e baixos, momentos bem ...