Existem várias formas de amar.
Amar um filho, amar um pai, amar um amigo, amar num relacionamento.
Todas as formas de amar são válidas.. Todas formas de amor também o são.
Não estava preparada para o amor que cresceu dentro de mim. Nem sabia que era existia essa forma de amar.
Amar um ilê asé, amar um bàbá.
Se eu construir uma casa usando um cimento de fraca qualidade ou mesmo uma mistura próxima do cimento, certamente essa casa um dia cairá.
Se eu levar para um ilê asé más intenções, zangas, desamor, contribuirei para um péssimo ambiente, não estarei a aprender nada na religião.
Se for com más intenções para o meu bàbá, se não o amar verdadeiramente, como posso lhe confiar o meu ori, confiar a minha ligação ao orisá, a minha vida espiritual?
Essa confiança é um elo para toda vida, é um elo forte, inquebrável. Quem melhor do que ele para querer o melhor para a minha vida?
As vezes tenho ciúmes da sua atenção para outras pessoas, algo que no início que o conheci isso não acontecia. Já lá vão um pouco mais de 2 anos, e tantas vezes procuro o seu olhar, procuro a sua linguagem corporal, para saber se está bem ou não, se está chateado ou não, procuro as vezes uma reação a algo que disse, seja na brincadeira ou a sério.
Procuro tantas vezes o seu conforto, mas muitos mais não tenho coragem de dizer como realmente sinto-me dentro de mim. Simplesmente não consigo por amar-lo tanto. As vezes estou triste, com situações que gostaria de desabafar, pois, considero-o o meu melhor amigo.. mas sei que ele está casando, repleto de afazeres, com algumas situações para resolver, e coloco-o como prioridade.
Não sei como é com os iniciados, o que sentem, como o expressam...
Mas posso dizer que é um carinho do tamanho do mundo que sinto por ele. Talvez devesse sentir pelas outras pessoas de cargo no ilê ou mesmo pelos meus irmãos de santo... mas quem manda nos sentimentos?
É uma preocupação constante em saber que ele está bem, e tantas vezes.. por não ter uma resposta a uma mensagem, por não ter um "olá" fico triste.. pensando o que terei feito...
Demorei algum tempo a entregar-me a essa afinidade, sou por natureza desconfiada, desde que me lembro. Cheguei durante muitas vezes a pensar que não pertencia ali, que deveria estar noutro lugar, não gostava de certas atitudes de muitas pessoas, e misturava tudo. Misturava pessoal, misturava espiritual.
Vivi momentos que fizeram-me crescer, que fizeram refletir, que fizeram ver a religião, os orisás e o ilê asé com olhos de ver..
Mas essa já é uma história para outro dia...

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