É difícil para mim não comentar ou não conversar sobre algo que se passa e que eu fiquei encantada, e que gostaria de partilhar ideias.
Acho que ainda como abian, devo aprender, que nem tudo o que se vive no candomblé é necessário comentar, debater, trocar ideias.
Eu sou daquelas pessoas que sentem necessidade extrema, e quando digo extrema, não é exagero, de conversar. Não é apenas deitar conversa fora, é mesmo um contacto humano e de conversar.
Se eu vir uma flor a desabrochar no meu ilê, tenho que partilhar como ela se abriu, as cores que tinha, o cheiro que senti, como era a terra onde a sua raiz crescia, como estava o céu, como estava o tempo e por aí vai... Sou demasiado descritiva, e ainda se estiver outra pessoa comigo, quero saber se ela viu exatamente como eu vi, se sentiu como eu senti, e fico tão frustrada quando nada oiço... quando do outro lado há silêncio.. Por norma não insisto, mas fico a sofrer por dentro...
Óbvio que este é um mero exemplo, mas é para o caro leitor entender, a minha personalidade. A minha forma de ser.
Acredito que esteja relacionado com a minha história de vida, em que poucas vezes tive voz, em que muitas deixei me abafar, e daí tantas inseguranças, tantos receios, tantos mimimis...
Na minha vida conversar, faço-o com o meu filho, com os meus cães... E atualmente sinto falta de conversar com mais alguém... só de escrever esta frase, as lágrimas aparecem-me nos olhos..
Ando a sentir-me só e não estou só, mas sinto-me só.. Sentimentos bipolares uma vez mais...
Olho neste momento pela vidro da janela do meu quarto, a chuva cai.. o verão também anda bipolar como eu... quase 4 da manhã e eu com este aperto no coração sem qualquer sentido, com esta lágrima salgada que insiste em cair, e a sentir-me só quando não estou só...
Será possível...
Tenho que aprender a guardar as coisas para mim apenas.. e confiar no sagrado, confiar no que virá a seguir, confiar no que é destinado e confiar que tudo irá correr bem....

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